29/06/2010 - Lavar as mãos é o melhor remédio

Os brasileiros não abrem mão de tomar banho até mais de duas vezes por dia, mas derrapam quando se trata da higiene das mãos. Uma pesquisa constatou que 53% da população brasileira não sabe da existência dos germes (bactérias, fungos ou vírus), micro-organismos que existem em grande quantidade dentro das casas e, transmitidos pelo contato das mãos, podem provocar doenças infecciosas que vão de gripes e diarreia a tuberculose e cólera.

Outros 7% dos brasileiros sabem da existência dos germes, mas não mostram preocupação. Já 23%, apesar de preocupados, não tomam providências para eliminar germes e bactérias. O levantamento foi feito em 2009 pela TNS Global Market Research, a pedido de uma empresa do setor de higiene pessoal, e mostra que 80% dos brasileiros ainda precisam aprender a se defender destes micro-organismos.

Mão limpa - “O brasileiro toma muito banho, mas não conhece bactérias e vírus e nem tem o hábito de se preocupar com isso”, avalia o pediatra Eitan Berezin, presidente do Comitê de Doenças Infecciosas da Sociedade Brasileira de Pediatria. Segundo ele, a boa higiene das mãos é uma medida de prevenção ainda mais importante do que vacinas e remédios. “As doenças infecciosas desaparecem à medida que a higiene melhora”, diz ele.

O especialista alerta que vírus sobrevivem em superfícies durante horas, o que demanda maior preocupação com ambientes dentro de casa. Em toalhas, por exemplo, o vírus sobrevive por oito a doze horas. Já nas mãos, ele pode viver por duas horas. “Ao não lavar as mãos após tossir e espirrar, as pessoas podem contaminar objetos, que se tornam infectantes”, explica.

O pediatra defende que as crianças tenham contato com superfícies contaminadas, mas que não descuidem de alguns cuidados básicos. “Elas podem sim brincar na terra, precisam disso. Mas depois é preciso lavar bem as mãos. Ter uma higiene boa não significa fazer a criança brincar apenas no cimento”, aponta o especialista.

Limpeza da casa é reprovada em teste - Rejuntes de banheiros e a parte interna dos refrigeradores são altamente contaminados com bactérias e bolores. A constatação é do estudo “Verdades Sobre a Higiene Doméstica” 2010, feito pelo Hygiene Council, conselho formado por especialistas internacionais em saúde que buscam orientar as pessoas sobre a necessidade de boas práticas para evitar a disseminação de infecções.

O estudo envolveu cerca de 180 famílias do Reino Unido, EUA, Alemanha, Canadá, África do Sul, Arábia Saudita, Malásia, Austrália e Índia.

De acordo com a pesquisa internacional, 70% dos rejuntes dos banheiros falharam em testes bacterianos. A concentração destes micro-organismos pode causar ou intensificar doenças respiratórias e alergias.

O segundo pior resultado foi verificado nos refrigeradores — 46% deles tinham contaminação bacteriana e 44% acumulavam bolores. Panos de cozinha também mostraram altos níveis de contaminação bacteriana em 36% das casas. Já os cabos de chaleiras estavam mais sujos do que teclados de computadores (22% contra 19%). A superfície mais limpa testada foi o carrinho de bebê — apenas 6% falharam nos testes de limpeza.
 

Fonte: Diário de S. Paulo
Autor: Aline Mustafa

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