03/08/2018 - Segurança do paciente é tema de Fórum em Belo Horizonte

“Se os hospitais não sabem, ao certo, a diferença entre erros com medicação e reações adversas; se não temos dados sobre indicadores de resultado; se ainda temos problemas com embalagens semelhantes de medicamentos, como vamos cumprir o desafio de reduzir, em 50%, os danos provocados por erros com medicamentos?” – Foi com esse questionamento que o farmacêutico Mário Borges, Presidente do ISMP Brasil, deu início ao VI Fórum Internacional sobre Segurança do Paciente, hoje, 03 de agosto, em Belo Horizonte/MG. Ao final da abertura, ele mesmo completou, “por ser a realidade desafiadora é que precisamos agir e por isso estamos aqui, para discutir ações práticas, com metas específicas de promoção da segurança do paciente na sua relação com o medicamento”, disse.

O desafio a que se refere Mário Borges é o 3º Desafio Global de Segurança do Paciente, estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) cuja meta é reduzir em 50% os danos graves e evitáveis relacionados à medicação, nos próximos cinco anos, e envolve, no Brasil, o governo por meio do Ministério da Saúde e Anvisa, instituições de ensino superior, entidades de classe dos profissionais da área da saúde e hospitais.

O EVENTO - O VI Fórum Internacional sobre Segurança do Paciente é uma grande oportunidade de debate. A Comissão Científica do evento elaborou a programação em quatro eixos de trabalho: Pacientes, Medicamentos, Profissionais da Saúde e Sistemas e Práticas de Medicação. “Cada um desses domínios apresenta falhas que favorecem a ocorrência de erros de medicação. Todos os nossos debates aqui têm o objetivo de traçar estratégias para minimizar essas ocorrências e tornar o cuidado com o paciente um ato cada vez mais seguro”, disse Mário Borges.

O Conselho Federal de Farmácia (CFF) é correalizador do evento e está sendo representado pelos Assessores da Presidência, Tarcísio Palhano e Josélia Frade, e pelo assessor técnico, José Luiz Miranda Maldonado.

Na mesa de abertura estiveram presentes: Victor Grabois, presidente da Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Sobrasp); Tarcísio José Palhano, representante do CFF; Lincoln Lopes Ferreira, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB); Mário Borges (ISMP-Brasil), Cristina Gonçalves Alvim, assessora da reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Alisson Brandão, Vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de Minas Gerais (UFMG).

A abertura contou com duas conferências magnas: “A comunicação e o uso seguro de medicamentos: desafios ocultos e complexidades”, com Elizabeth Manias (Deakin University – Melbourne/Austrália); e “A PINCH: como evitar danos aos pacientes envolvendo medicamentos prioritários de alto risco”, com Eric Kastango(IQ Clinic – Madison/Estados Unidos).

No período vespertino foram realizados: o painel “Estratégias de segurança do paciente no Brasil – o que já foi feito e o que ainda está por vir?; o relato de experiência com o tema – Uso da ferramenta de simulação realística para o desenvolvimento de competências e habilidades para a segurança do paciente.
OLHAR HUMANO - O primeiro dia de evento foi encerrado com dois relatos que emocionaram e provocaram reflexões no público quanto à importância do “olhar humano” para o cuidado com o paciente.

No primeiro, o engenheiro Francisco Cruz Lima e sua esposa, a atriz Sandra Lima, relataram a uma sucessão de erros que levaram à morte a sua filha, Julia Lima, então com 27 anos, em 2015, no Hospital Albert Einstein. “Fiz da minha tragédia um estímulo para que outras pessoas não passassem pela mesma dor”, disse Francisco. Ele pesquisou sobre o cuidado com o paciente, sobre as possibilidades de erro e sugeriu, ao Hospital, mudanças no comportamento nos recursos humanos, entre elas, que os profissionais ouvissem os pacientes e solicitassem uma segunda opinião ao se depararem com um caso mais complexo. Sua pesquisa se transformou na base do Programa do Segurança do Paciente, do Hospital, e leva o nome  - Julia Lima.

No segundo relato, a médica Camila Sardenberg, da Associação Congregação de Santa Catarina, apresentou o Programa “O que importa para você? Por um cuidado centrado no paciente”. Segundo Camila, parece simples, mas é bem complexo ouvir. A campanha é uma realidade em vários países e se resume numa ação que tem o propósito de estimular conversas mais significativas entre profissionais da saúde e pacientes. “A ideia é criar um elo de compaixão e empatia. É atender de forma humanizada e aprimorar o cuidado de saúde com base no que realmente importa para o paciente. O fundamental para o profissional da saúde é – perguntar o que importa, ouvir o que importa e fazer o que importa”, explicou.

Durante a tarde desta sexta-feira, 03, também foi lançado o livro “A arte da (Des)Prescrição no Idoso – a dualidade terapêutica”, de Edgar Nunes de Moraes.

A programação do VI Fórum Internacional sobre Segurança do Paciente segue neste sábado, dia 04, com conferências internacionais, mesas redondas, painéis e a entrega do Prêmio Michael Cohen.

 

Fonte: Comunicação
Autor: CFF

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Fotográfo: Yosikazu Maeda