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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Notícias Gerais

Laboratórios quebram recordes sem parar

Data: 23/08/2013

Nem as frequentes revisões para baixo das expectativas de expansão da economia para este ano reduzem o entusiasmo da indústria farmacêutica. Segundo elo mais importante da cadeia química brasileira, o segmento acumula ao menos dez anos de sucessivos aumentos no volume físico de vendas e nas receitas. Por conta desses resultados, e também graças a estímulos do governo federal, há uma crescente disposição de um conjunto importante de laboratórios de investir mais fortemente em áreas antes restritas apenas a alguns poios no exterior. Uma estratégia que poderá mudar radicalmente o perfil dessa indústria daqui a dez anos.

O plano foca em pesquisa e desenvolvimento (P&D) no país de drogas inovadoras, de maior valor agregado, um salto qualitativo em relação ao status quo atual, calcado na produção local de cópias de medicamentos criados no exterior. É uma evolução, aliás, que já está em curso. Ainda que lentamente, as políticas de P&D das empresas, principalmente as de capital nacional, vêm avançando para áreas mais complexas, como a de medicamentos biológicos — produzidos a partir células vivas —, que movimentam cifras próximas de US$ 160 bilhões por ano no mercado mundial e R$ 10 bilhões no Brasil, segundo informações do setor.

Tal tendência é fruto da rápida ascensão do mercado doméstico, que tende a ganhar mais e mais importância no cenário internacional. O Brasil deverá alcançar a quarta posição no ranking da indústria farmacêutica em 2016, atrás apenas de Estados Unidos, China e Japão. Um salto significativo, como observa Nelson Mussolini, presidente-executivo do Sindicato da Indústria Farmacêutica no Estado de São Paulo (Sindusfarma), considerando-se que o país ocupava a 11- colocação em 2003, comi,33% de participação no bolo internacional, de acordo com indicadores do IMS Health, que audita as vendas globais do setor.

O investimento local em P&D promete reduzir a dependência atual do país da importação de insumos farmacêuticos e medicamentos mais sofisticados, que impac-ta as contas do comércio externo e pressiona gastos públicos e privados com saúde. Estudo da agência classificadora de risAustin Rating mostra que em 2012, a balança comercial do setor apresentou saldo negativo de USS 6,63 bilhões, uma expansão próxima de 250% em relação a 2003. Na ponta do lápis: US$ 6,11 bilhões em importações e exportações totais que, mesmo crescentes (eram US$ 226 milhões, em 2003), somaram apenas USS 1,23 bilhão. O déficit com insumos farmacêuticos também incomoda: atingiu US$ 1,75 bilhão, com a entrada no mercado brasileiro de US$ 2,61 bilhões de importados.

Na avaliação de Felipe Queiroz, economista da Austin Rating, tais números demonstram a histórica falta de estímulos públicos para um setor vital e de alto risco. "A P&D exige investimentos às vezes até bilionários sem que haja qualquer garantia de que, ao final do processo, o laboratório conte com um produto para lançar no mercado. Para enfrentar esse desafio, as empresas querem compartilhar riscos, como ocorre nos grandes centros produtores da Europa e nos Estados Unidos", diz ele. Em média, as multinacionais bem posicionadas investem entre 15% e 20% de suas receitas em P&D, ao passo que os maiores laboratórios brasileiros injetam entre 6% e 10%. Para Queiroz, o avanço sobre os biológicos deverá ao longo do tempo reduzir o déficit, mas a obtenção de superávits ainda é um sonho distante. "O trajeto é mais longo. Mas é um passo extremamente importante, porque valoriza o mercado doméstico e seus profissionais, atraindo investimentos e receitas."

Atrai, também, recursos externos de empresas que não querem perder fatias em um mercado dos mais importantes do planeta e que, de quebra, ainda dispõe de muito potencial de crescimento. A No-vartis, há 80 anos no Brasil, que o diga. O grupo suíço, que conta com quatro fábricas no país - incluindo uma de síntese química, rara entre farmacêuticas de capital estrangeiro - vai montar em Jaboa-tão dos Guararapes (PE) uma unidade de produção de vacina contra meningite do tipo B. Investimento previsto: R$ 1 bilhão. "É um produto inteiramente novo", afirma Adib Jacob, presidente da subsidiária local. "A unidade, que deve iniciar a produção em 2016, está sendo dimensionada, em um primeiro momento, somente para a vacina, mas a expectativa é de que se torne uma fábrica de biológicos. Pretendemos, também, que seja uma plataforma de exportação da vacina."

Quinta maior operação mundial do grupo europeu, a Novartis brasileira faturou RS 3 bilhões em 2012, alta em torno de 10% em relação ao exercício anterior. Todas as suas seis divisões têm crescido acima de 10% nos últimos anos, índice que Jacob espera repetir em 2013. "O mercado de medicamentos ao longo dos últimos dez anos vive um pouco do dinamismo da economia brasileira, pelo aumento da renda e do emprego formal e pela ascensão de classe de mais de 50 milhões de pessoas", destaca o executivo.

Só no período entre 2009 e 2012, enquanto os principais mercados mundiais enfrentavam estagnação ou retração, o número de unidades de medicamentos vendidas no país saltou 46,5% e o faturamento, 65%, lembra Queiroz, da Austin. Dados do Sindusfarma, baseados em pesquisas do IMS Health, mostram que o setor faturou RS 49,64 bilhões em 2012, quase 16% superior ao ano anterior. Em caixas vendidas, saltou um pouco mais de 10%, para 2,58 bilhões.

Em 12 meses até o final de junho, o faturamento alcançou R$ 53,04 bilhões com 2,72 bilhões de caixas vendidas. No primeiro trimestre de 2013, as receitas apresentaram leve desaceleração, mas ninguém aposta em queda no mercado e nas próprias vendas. Projeções da Austin indicam alta de 9,5%, observa Queiroz. Já a multinacional suíça Roche, entre as maiores do setor no país e em âmbito mundial, acredita que seus negócios aqui, que têm crescido mais de 10% ao ano em média, avancem acima de 10% em 2013. "Nosso foco é a área hospitalar e a oncologia. Não concorremos com os genéricos, que são os grandes impulsionadores do varejo farmacêutico brasileiro", afirma Adriano Treve, presidente da Roche brasileira, que registrou receita de R$ 2 bilhões em 2012

Todos as fontes ouvidas pelo Brasil Econômico são unânimes ao afirmar que a maior parte dessa expansão na última década decorre, principalmente, do mercado de medicamentos genéricos. O segmento foi criado em 1999 e fechou o ano passado com 26,3% de participação no volume total de caixas de remédios vendidas e de 22,4% em valor. Telma Salles, presidente da PróGenéricos, que reúne laboratórios responsáveis por 90% das vendas do segmento, acredita que a expectativa é deter 30% do total de unidades comercializadas até o final do ano. "O mercado ainda tem grande potencial de crescimento pela frente. Basta lembrar que a participação dos genéricos em muitos países fica entre 50% e 70%", observa.

Os genéricos custam em média 35% menos do que os produtos de referência. Seus fabricantes investiram USS 800 milhões em linhas de produção e laboratórios de pesquisa, entre 1999 e 2012, e pre-veem aplicar mais US$ 1,5 bilhão até 2014. A turma começa a disputar mercados mais sofisticados, como o de biológicos, e também a cruzar as fronteiras. Além de expandir suas exportações, já começa a fincar bandeiras fora do Brasil. É o caso da Eurofarma, presente em seis países da América Latina. "Hoje, já cobrimos 64% dessa região e a expectativa é expandir a presença para 90% até 2015", informa Maria Del Pilar Munoz, diretora de assuntos institucionais. Em 2012, o laboratório obteve R$ 1,8 bilhão de faturamento, 14% a mais do que no exercício anterior, e estima crescer 15% este ano.

Fonte: Iolanda Nascimento
Autor: Revista Brasil Economico

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