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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

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Nutrição parenteral: estudo aponta principal causa de contaminações

Data: 21/08/2017

A nutrição parenteral é uma modalidade de terapia nutricional indicada a pacientes adultos e pediátricos que não podem ingerir alimentos pelo sistema digestório, ou seja, por via oral, o que leva à necessidade de se utilizar sondas para administrar o alimento diretamente por via venosa com acesso central ou periférico.

A farmacêutica Prof. Dra Maria Rita Garbi Novaes, especialista, mestre, doutora e pós-doutora em temas relacionados a terapia nutricional parenteral, atua como farmacêutica hospitalar na Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES/DF) há 29 anos e realizou um levantamento que aponta a principal causa de contaminação nesse tipo de terapia.

Em entrevista ao Conselho Federal de Farmácia, ela explica os detalhes de sua pesquisa e fala sobre a importância da presença do farmacêutico na equipe de terapia nutricional parenteral e enteral.

CFF - Em se tratando de um alimento, qual é a composição da nutrição parenteral?

Maria Rita Garbi Novaes - A nutrição parenteral é composta por macro e micronutrientes, sendo eles: glicose, lipídios, aminoácidos (macronutrientes) e eletrólitos, minerais e vitaminas (micronutrientes) que são misturados, de forma asséptica e seguindo procedimentos estéreis e validados com vistas a garantia de qualidade, com o auxílio da câmara de fluxo laminar e controle de partículas da área. Dependendo da composição e osmolaridade da nutrição parenteral ela poderá ser administrada por via central (emulsão de nutrição parenteral total) ou por via periférica (solução de nutrição parenteral parcial). Todas são extemporâneas e devem ser administradas no individuo, preferencialmente, em um período de 24 horas, seguindo as recomendações da RDC/ANVISA 272/98.

CFF - Como o farmacêutico poderia atuar para ajudar a manter a esterilidade da nutrição parenteral e a diminuir os casos de contaminação desses pacientes?

Maria Rita Garbi Novaes - Para manter a esterilidade da nutrição parenteral, o farmacêutico e sua equipe de trabalho deverá seguir procedimentos assépticos e padrões de qualidade, critérios estabelecidos para o número máximo de partículas no ambiente de manipulação, trabalhar com procedimentos, produtos e equipamentos de boa qualidade, validados, estéreis, apirogênicos e que atendam às normas técnicas e critérios de inspeção e de qualidade nacionais e internacionais, visando a segurança do paciente crítico.

CFF – A senhora apresentou um trabalho de revisão sistemática que realizou sobre o tema em palestra ocorrida na câmara dos deputados. De acordo com o levantamento, quais foram as principais causas de infecção identificadas nesse tipo de terapia?

Maria Rita Garbi Novaes – Em uma revisão em que foram pré-selecionados 642 artigos, os resultados sugeriram que em 94% dos casos a infecção de pacientes em nutrição parenteral ocorreu em virtude de contaminação causada pelos diversos procedimentos realizados através do cateter, além do período de manutenção de cateter extrapolar o recomendado, aumentando os riscos de contaminação. Este artigo será publicado na revista JPEN.

CFF – Como os farmacêuticos podem se capacitar para atuar com segurança nesta área? Os currículos de farmácia abordam suficientemente o tema?

Maria Rita Garbi Novaes - Os currículos de graduação em farmácia abordam este tema principalmente no estágio curricular em farmácia hospitalar, com aplicação de cargas horárias diferenciadas entre as escolas. Existem poucos cursos especializados na área e que possibilitam a discussão teórica e aplicação prática dos conhecimentos por meio de atividades de manipulação das emulsões e soluções de nutrição parenteral, além da discussão clínica da indicação terapêutica, composição, osmolaridade, via de acesso e possíveis complicações na presença e ausência de fármacos concomitantes a nutrição parenteral.Os conselhos de farmácia necessitam continuar estimulando a formação e a especialização do farmacêutico nesta área. Nesta área tem sido muito eficiente o uso de simulação realística como metodologia ativa na educação permanente e capacitação de profissionais farmacêuticos em terapia nutricional parenteral.

CFF – Qual a importância da atuação do farmacêutico na equipe que trata pacientes que necessitam da nutrição parenteral?

Maria Rita Garbi Novaes - Os pacientes devem ser supervisionados pelo farmacêutico e pela equipe multiprofissional pois na presença de reações adversas e interações entre fármacos e nutrientes, estas devem ser imediatamente identificadas e, posteriormente, realizados procedimentos para reverter estes problemas minimizando possíveis riscos deletérios aos pacientes. Além disto, o farmacêutico poderá contribuir com a avaliação técnica dos novos suplementos alimentares e funcionais que podem ser inseridos na nutrição parenteral com benefícios no prognóstico dos pacientes assistidos.

Maria Rita Garbi Novaes é docente do Curso de Medicina, orientadora no tema no Mestrado e Doutorado em Ciências da Saúde da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS/FEPECS) e da pós-graduação stritu sensu da Universidade de Brasília (UnB) e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar (SBRAFH). É, ainda, Diretora da Coordenação de Pesquisa e Comunicação Científica da ESCS/FEPECS.

Fonte: Comunicação do CFF

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