Menu Principal

fecha o menu
Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Notícias do CFF

Cebrim emite nota sobre fungo multirresistente em ambiente hospitalar

Data: 18/12/2020

No início de dezembro deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) noticiou o surgimento de um fungo raro, Candida auris, que oferece risco à saúde de pacientes com longa permanência em Unidades de Terapia Intensiva ou, ainda, que necessitam de cateter venoso nesses estabelecimentos de saúde. Desde 2017, quando a Anvisa organizou a Rede Nacional de Laboratórios para dar suporte para identificação deste fungo, nenhum caso havia sido identificado no país.

 

Entre os motivos de este fungo ser considerado uma séria ameaça à saúde pública inclui-se a resistência a vários medicamentos utilizados para tratar as infecções. Pâmela Saavedra, farmacêutica do Centro Brasileiro de Informação sobre Medicamentos, do Conselho Federal de Farmácia (Cebrim/CFF), explica que o surgimento do Candida auris é preocupante porque ele pode causar infecção na corrente sanguínea e outras infecções invasivas, podendo ser fatal. “Além disso, o fungo pode apresentar resistência a vários medicamentos antifúngicos sendo que, algumas cepas de Candida auris são resistentes a todas as principais classes de fármacos antifúngicos (polienos, azóis e equinocandinas) disponíveis no momento”, alerta.

 

A Candida auris pode permanecer viável por longos períodos no ambiente, semanas ou meses, em superfícies ou pessoas, o que facilita a transmissão hospitalar do microrganismo. A forma de transmissão exata não é conhecida, mas sugere-se que pode se disseminar em ambientes assistenciais por contato com superfícies ou equipamentos contaminados ou ainda de pessoa para pessoa. “Aparentemente, o C. auris pode contaminar substancialmente o ambiente de quartos de doentes colonizados ou infectados, havendo risco de transmissão direta por artigos e equipamentos de assistência ao paciente e pelas mãos de profissionais de saúde, fato que reforça a necessidade de higiene rigorosa desses profissionais”.

 

Para prevenção, são recomendas precauções de contato, controle rígido de infecção, vigilância periódica e limpeza com detergentes e desinfetantes a base de cloro, além do uso de ferramentas de detecção eficientes para prevenção, contenção e diagnóstico precoce de infecção por C. auris.

 

*Nota aos farmacêuticos hospitalares e clínicos*

 

Em 2009, o fungo Candida auris foi identificado pela primeira vez como causador de doença em humanos, no Japão. Desde então, surtos foram relatados em diversos países no mundo. Nas Américas, em 2012, o fungo foi relatado na Venezuela e depois na Colômbia, em unidades de terapia intensiva de hospitais terciários. A maioria dos casos foi associada com serviços de saúde (PAHO, 2016).

 

Sobre isso, uma revisão sistemática (Sekyere, 2018) atualizou os dados acerca do Candida auris. O autor encontrou que 16 países já haviam relatado relataram isolados de C. auris, sendo os principais a Índia, os Estados Unidos e o Reino Unido, no período de 2013 a 2017. Os pacientes afetados apresentavam comorbidades com associação estatisticamente significativa, tais como, diabetes, sepse, doenças pulmonares, doenças renais, entre outras. (p-valor <0,0001). *Foi apontada resistência (p-valor = 0,0059) aos antifúngicos fluconazol (44,29%), anfotericina B (15,46%), voriconazol (12,67%), caspofungina (3,48%) e outros.*

 

O Alerta de Risco Nº 1/2020 da GVIMS/GGTES/Anvisa, publicado em 7 de dezembro de 2020, relata o problema de saúde pública ocasionado com o surgimento do fungo Candida auris no país (Anvisa, 2020). Este alerta reforça o fluxo de encaminhamento de isolados suspeitos e as medidas de prevenção e controle a serem adotadas pelos serviços de saúde, medidas estas já estabelecidas no Comunicado de Risco nº 01/2017 GVIMS/GGTES/ANVISA em 2017.

 

Ainda, as taxas de incidência e prevalência de C. auris não são bem conhecidas porque os métodos rotineiros de identificação deste patógeno geralmente o identificam como parte do complexo Candida haemulonii, ao qual é relacionado filogeneticamente (PAHO, 2016). Por outro lado, o diagnóstico laboratorial da C. auris requer métodos específicos uma vez que pode ser confundido com outras espécies, tais como Candida haemulonii e Saccharomyces cerevisiae. Este fato aumenta a capacidade de causar surtos devidos à falta de identificação laboratorial adequada e oportuna e da consequente eliminação do ambiente contaminado (Anvisa, 2020).

 

O fluxograma completo para envio de isolados suspeitos ou confirmados, além das orientações para encaminhamento dos mesmos, constam no Comunicado de Risco nº 01/2017 GVIMS/GGTES/ANVISA.

 

Entre as ações da Anvisa, está a disponibilização de formulário de notificação específico para que as Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) dos serviços de saúde, na ocorrência de isolado indicativo (suspeito) ou confirmado de C. auris, notifiquem a Anvisa. Além disso, a CCIH deve notificar à Coordenação Estadual de Controle de Infecção Hospitalar. A comissão deve realizar a investigação do caso e anexar o relatório ao formulário de notificação de casos de Candida auris em serviços de saúde (http://formsus.datasus.gov.br/site/formulario.php?id_aplicacao=29449).

 

Referências

 

Pan American Health Organization, World Health Organization. Epidemiological Alert, Candida auris outbreak in health care services de 3 out 2017. Disponível em: https://www.paho.org/hq/dmdocuments/2016/2016-oct-3-phe-candida-auris-epi-alert.pdf

 

Sekyere O. J. Candida auris: A systematic reviewmeta-analysis of current s on na emerging multidrug-resistant pathogen. Microbioly Open. 2018; 7(4):e00578. doi: 10.1002/mbo3.578.

 

Cebrim/CFF

 

Fonte: Comunicação do CFF

Fotos Relacionadas










TV CFF















Newsletter

Cadastre-se em nossa newsletter para receber notícias direto no seu e-mail



Copyright © 2008 Conselho Federal de Farmácia - CFF. Todos os direitos reservados.

SHIS QI 15 Lote L - Lago Sul / Brasília - DF - Brasil - CEP: 71635-615

Localização

Fone: (61) 3878-8700